Sofia

agosto 14, 2011

Há 9 dias chegou a Sofia, uma pessoínha de 47 cm e 2,630 kgs, mas que mesmo com toda sua fragilidade e ternura deixou a nossa vida mais doce, colorida e sublime.

Será uma longa jornada, na verdade a maior de todas, cheia de medos e inseguranças, mas recheada com deliciosos cafunés e mordidinhas na bochecha. Acredite, em pouco mais de uma semana já está valendo muito a pena.

Sofia, o mundo aqui não é lá essas coisas, mas espero que goste. Que você tenha muita saúde e que o filme da sua vida seja uma mistura de aventura, comédia, romance (ok, ainda é cedo pra pensar nisso) e acima de tudo, com um final feliz.

Seja muito bem-vinda, minha filha.


Melhores 2010

fevereiro 9, 2011

Engraçado que o último post tinha sido exatamente sobre os melhors do ano retrasado. Pelo menos esta saiu em fevereiro e não em abril, como em 2010. Enfim, ficar na desculpa clichê de blogueiro-bissexto não adianta, o que interessa é texto postado, e vamos a ele.

Ainda uso a regra de colocar somente filmes lançados em 2010, mas preciso revê-la mais tarde. Os filmes ainda demoram para chegar no interior (sim, no circuito distribuidor Curitiba infelizmente é uma cidade da roça) e ótimos filmes acabam ficando de fora dessas listas. Mas como o que vale ainda é a regra antiga, ei-la:

10 – A Fita Branca (Das weiße Band) Dir. Michael Haneke, 2009

Perverso e perturbador, e com uma fotografia espetacular, Haneke põe uma lupa em um vilarejo pós-Primeira Guerra para exibir seu já habitual pessimismo com o ser humano.

9 – Mother (Madeo) Dir. Joon-ho Bong, 2009

Mais um inclassificável e surpreendente filme de Bong.

8 – A Rede Social (The Social Network) Dir. David Fincer, 2010

Fincher se redime e mostra o exato momento em que o conceito de “amizade” era redefinido para o século XXI.

7 – A Origem (Inception) Dir. Christopher Nolan, 2010

Supervalorizado pelos excelentes efeitos especiais e pela trama aparentemente complexa, Nolan recicla ideias batidas e cria uma ótima história, que se peca pelo didatismo, também não ofende o espectador.

6 – Vencer (Vincere) Dir. Marco Bellocchio, 2009

A ascensão do fascismo traduzida em imagens. E Giovanna Mezzogiorno. Preciso dizer mais?

5 – O Escritor Fantasma (The Ghost Writer) Dir. Roman Polanski

Grande volta de Polanski com seus filmes claustrofóbicos.

4 – Mary & Max (idem) Dir. Adam Elliot, 2009

Em poucos minutos já me esquecia completamente que estava assistindo personagens de massinha, tamanho envolvimento com a tocante história dos personagens-título. Triste e belo.

3 – A Ilha do Medo (The Shutter Island) Dir. Martn Scorsese, 2010

Um filme irregular onde Scorsese mostra, mesmo entre erros e acertos, o frescor de alguém que filma como se ainda estivesse no começo de carreira nos anos 70.

2 – Tropa de Elite 2 (idem) Dir. José Padilha, 2009

Menos violento, mais complexo e com algumas questões melhores resolvidas, Padilha sobe um degrau e põe o filme no seleto grupo das sequências que são melhores que os originais.

1 – O Segredo dos Seus Olhos (El secreto de sus ojos) Dir. Juan Jose Campanella, 2009

Com a mesma sensibilidade dos filmes anteriores, Campanella passeia com muita desenvoltura entre a comédia, o suspense e o romance. Com um roteiro preciso, a história consegue envolver assuntos tão diversos como a ditadura, sem cair na armadilha de deixá-lo como um filme-político, e uma bela homenagem ao Racing, com um dos planos-sequência mais espetaculares já feitos. Ao contrário do que possa parecer, tudo é colocado é encaixado de forma orgânica, fruto de um excelente trabalho de direção e edição.

Assim como nos anteriores, Ricardo Darín, o ator-fetiche do diretor, faz um trabalho econômico e direto, onde muitas vezes uma troca de olhares substitui páginas de roteiro, principalmente nas cenas feitas com a maravilhosa Soledad Villamil.

Melancólico e nostálgico, Campanella entrega um trabalho único e muito bem acabado, onde não falta nenhum ‘A’.


Melhores 2009

abril 3, 2010

Como 2010 ainda não terminou e antes tarde do que nunca vamos a lista com os melhores vistos por mim no ano passado. Claro que não vi tudo que foi lançado ano passado, mas tive a impressão que foi um ano mais fraco do que a média. A lista inicial tinha quase 20 filmes (o que é pouco, já que assisti mais de 80 lançamentos) e na peneira pra ficar 10 apareceu uma dúvida séria com os dois últimos. Com isso, Michael Mann e Gus Van Sant ficaram de fora.

1) Gran Torino

Quase ficou em um empate técnico com o segundo, mas a maneira com que o Eastwood retratou uma possível despedida da atuação comove só de lembrar e fez a diferença pra ficar no topo.

2) O Lutador

O melhor filme de Aronofsky retrata com amargura e uma boa dose de crueldade o que foram os anos 90 para a geração de 80.

3) Deixa Ela Entrar


Em tempos de Lua Nova, o fantástico filme de Tomas Alfredson nos mostra que nem tudo está perdido.

4) Anticristo


Filme que Lars Von Trier dirigiu durante uma crise de depressão. Depois de assisti-lo, fica difícil acreditar que tenha conseguido sair dela.

5) Desejo e Perigo

De novo Ang Lee trabalhando com personagens com grandes conflitos internos.

6) Amantes

Bipolar também ama, e poucos teriam a mesma delicadeza de Gray ao retratá-lo.

7) Arraste-me para o Inferno

Quer prova maior de que Sam Raimi perdeu 7 anos da vida dele?

8) Bastardos Inglórios


Não é a obra-prima que muitos pregam, o que não significa que tenha que ser ignorado. Entre erros e acertos, não tem como não sentir o amor de Tarantino pelo cinema em cada fotograma.

9) Atividade Paranormal


Um filme é ainda melhor quando ele consegue surpreender dentro de uma idéia batida.

10) Sinédoque, Nova York


Mesmo não sendo uma unanimidade (longe disso até), não dá pra ficar indiferente aos filmes roteirizados por Charlie Kaufman. Agora, também como diretor, ele procura manter a coerência dentro do caos e o resultado é interessantíssimo.


Bridges, Huston e Hopper (ou “cair e levantar”)

março 26, 2010

Começou num post recente do Alpendre onde ele faz uma pequena defesa do subestimado Coração Louco, filme que corrigiu uma grande injustiça e rendeu o Oscar ao Jeff “The Dude” Bridges (que ainda rendeu um Top 6 de filmes com o ator). Nos comentários a conversa estendeu, até que o amigo Edu Aguilar comenta sobre Cidade das Ilusões (Fat City) de John Huston, diretor que li muito e vi pouco. Aproveitei a chance e fui atrás dessa maravilha.

O filme é a história de Tully (Stacy Keach) e Earnie (Bridges), dois boxeadores que mesmo em momentos diferentes da carreira ainda estão em busca de um rumo, um caminho para tocar a vida. Huston, que além de filmar grandes cenas de luta consegue transformar Keach na amargura em pessoa. A primeira aparição de Tully é emblemática, que apoiada pela belíssima canção de Kris Kristofferson, “Help me Make it Through the Night”, é a perfeita demonstração da força da imagem e da capacidade de dizer muito com o mínimo. Coisa para poucos.

Fat City é sobre cair e levantar. E este blog também.

Hopper a 24 frames por segundo.


In Treatment – 1ª temporada

abril 7, 2009

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Produzido pela HBO, um canal que já fez mega-produções como Band of Brothers e Roma, In Treatment agrada e surpreende logo de cara pela aparente simplicidade. Ao contrário da já tradicional freqüência semanal de outras séries, esta aqui é diária, de segunda a sexta-feira, cada dia focado em uma das cinco terapias.

Pra quem está acostumado com Lost e 24 Horas da vida, a desconfiança é inevitável. Uma série em que 90% do tempo você vê pessoas conversando, sentados no sofá de um consultório, com planos e contra-planos e vários momentos de silêncio total, parece fadada a chatice. E seria realmente um tremendo tédio, não fosse a mão firme, tanto para escrever como para dirigir de Rodrigo Garcia. Sutil, Garcia trabalha bem com as palavras, mas é escrevendo o não-dito com a câmera que ele se sai melhor. Para o espectador menos atento as sessões parecem não funcionar para nenhum dos pacientes. Entretanto, um olhar mais cuidadoso notará o passo-a-passo, até que no final todos de certa forma estão transformados. A quantidade de episódios, 43, e não um múltiplo de 5 como seria de se imaginar, mostra que algumas regras podem ser quebradas e há espaço para muitas surpresas.

As sessões/episódios são mediados por Paul, o psicólogo interpretado pelo brilhante Gabriel Byrne. Sereno e frio, vemos a dificuldade diária de Paul em trabalhar com sentimentos, com o clima pesado das consultas e em procurar o distanciamento necessário, mesmo que às vezes isso acabe sendo impossível.

Garcia também é preciso no desenvolvimento dos pacientes. Depois de uma ou duas sessões com cada um, temos o rótulo fácil na cabeça, que é desconstruído de maneira gradual (lembra da sutileza? então…) e quase imperceptível. Gosto de todos, mas tenho um carinho especial por Sophie, num trabalho absurdo de tão bom de Mia Wasilowska, que emocionou em todos os seus episódios com a sua mistura de doçura, angústia e fúria.

Outro fator que deixa a série ainda mais interessante são os últimos episódios de cada semana (5º, 10º, etc) onde Paul se consulta com a psicóloga e amiga de longa data Gina (Dianne Wiest, ótima). A discussão sobre os pacientes e os problemas com a esposa (a excelente Michelle Forbes) ressaltam suas fraquezas e expõe suas emoções, represadas quando no papel de psicólogo. Curioso também por mostrar que mesmo com todo o conhecimento do assunto, Paul age com Gina exatamente como um paciente comum, seja menosprezando pequenos detalhes que ela julga importante, criticando seus métodos ou ignorando suas opiniões. Com o tempo, percebemos que Byrne constrói um personagem complexo e ambíguo, que não compreende como toda a teoria e prática adquirida com os anos não o ajudou a lidar com seus sentimentos e a enxergar problemas que estavam diante de seus olhos. E mais do que isso, talvez ele não tenha aprendido a se ver como ser humano, falho e previsível.


Melhores filmes?

março 27, 2009

Para não dizer que não falei deles, eis alguns caracteres sobre os cinco indicados a melhor filme no Oscar desse ano, onde pela primeira vez em muito tempo consegui baixar assistir todos eles antes da premiação acontecer.

O Curioso Caso do Benjamin Button

A expectativa era grande depois de Fincher ter conseguido grande aceitação da crítica com o ótimo Zodíaco. Pena que errou na escolha do projeto, e a refilmagem de Forrest Gump parece um decepcionante passo atrás. Até deu saudades de ver o Tom Hanks jogando ping-pong.

Slumdog Millionaire

Curioso por ser o filme do Boyle que eu menos gosto, e olha que acho até A Praia mazomeno. Mesmo assim, dá pra entender toda a fascinação que o envolveu. Otimista, pra frente, com toda aquela aura de conto de fadas e recheado de Índia for dummies. Não é de todo ruim, mas Ewan McGregor e alguns zumbis fizeram falta.

O Leitor

Foi o que mais me deixou boas lembranças no pós-filme, mesmo que seja claro todos os seus defeitos. Gosto muito da primeira metade, das descobertas e da fixação do menino na Kate Winslet. A história cai quando chega no julgamento e volta a ficar interessante na prisão. Mesmo sabendo da pieguice da gravação das fitas cassete, e que fica até certo ponto incompreensível analisando o que acontece na sequência, me agrada a ambigüidade dos sentimentos de Fiennes pela Winslet (que não convenceu como uma velhinha).

Frost/Nixon

Não sei se é pelo fato dos outros quatro serem pouco interesantes, mas esse é o filme mais surpreendente do grupo. E boa parcela dessa surpresa é por ser um filme do Ron Howard, que segura uma trama difícil com pulso firme, retratando as entrevistas com muita qualidade e por ter conduzido com muita propriedade os ótimos trabalhos de Frank Langella e Michael Sheen. Dá pra ver na web trechos da entrevista original.

Milk

Até parece que Gus Van Sant tinha esquecido como fazer bons filmes numa linguagem mais “convencional”. Mesmo sem me sentir totalmente fisgado, gosto muito de algumas seqüências (como a já famosa do reflexo do apito), da ambientação de época e das interpretações cheias de nuances de Penn e Broslin. Mesmo enfraquecido pelo final, o filme é bom e o que é melhor, ajuda a esquecer que esse Van Sant é o diretor de “Encontrando Forrester”.


Top 2008

março 6, 2009

Aproveitando que os filmes que estrearam em 2009 por aqui não empolgaram vou tirar o atraso e colocar uma Top 10 dos filmes do ano passado. Esse negócio de classificar filme é uma merda, nunca sai a contento, e se eu repetisse a lista amanhã e outra depois de amanhã com certeza sairia diferente. Então, classificado mesmo, só o primeiro lugar. Do segundo até mais ou menos o 10º, todos me agradaram na mesma quantidade, por isso merecem um comentário rápido. E pra fechar, cito mais uns 15 que merecem ser vistos também.

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I’m Not There – Todd Haynes

Original ou não, Haynes foi brilhante em criar um mosaico, que caiu como uma luva para um artista com tantas facetas. Não conheço a vida dele o suficiente para separar no filme a verdade do mito, e nem para entender a simbologia de alguns momentos, e isso até é o de menos. Besteira quebrar o filme pra comparar quem foi o melhor “Dylan” e desmembrá-lo parece tirar todo o encanto da coisa. Apesar de parecer que é uma obra para iniciados, I’m Not There foge do lugar-comum e pode ser apreciado sem ser compreendido, assim como qualquer disco do próprio Dylan.

Once – John Carney

Fui totalmente surpreendido pela linda estória de Hansard e Irglova (no filme não possuem nome), que se descobrem nas ruas de Dublin e buscam na música uma maneira de exorcizar os problemas da vida. Pontuado por belíssimas canções (a que ganhou o Oscar ano passado, por exemplo e acabou gerando um dos grandes momentos daquela noite), o filme é doce e intenso, um não-romance simpático e que enche os olhos.

[REC]  - Jaume Balagueró

O melhor filme de terror que vejo há muito tempo. Não é qualquer filme que me deixa com o cu na mão coração na boca e grudado na cadeira. Tenso, o filme vai aumentando exponencialmente o desespero à medida que o tempo passa$. A cena em que a repórter olha para baixo na escadaria, completamente tomada por “eles”, é de fudê.

Na Natureza Selvagem – Sean Penn

Filmaço dirigido por Sean Penn, que com muito respeito e admiração, narra a fantástica jornada de Chris McCandless, e nos ensina que o destino às vezes um mero pretexto, já que o que importa mesmo é o percurso para se chegar a ele (eu dizendo parece papinho de auto-ajuda, mas veja o filme e você irá entender do que estou falando). E ainda recheada pela ótima trilha sonora feito por Eddie Vedder. Imperdível.

Escafandro e a Borboleta, Julian Schnabel

Schnabel foi genial em nos jogar para dentro do corpo de Jean-Do e simular o tormento das limitações de um corpo inerte, com suas dificuldades e devaneios. A parceria com Mathieu Amalric resultou num trabalho singular e sem cair no sentimentalismo barato.

Wall-E, Andrew Stanton

Dizer que a Pixar fez mais uma obra-prima é chover no molhado. O que diferencia essa animação das outras já realizadas, além da absurda qualidade técnica, é ousadia de desenvolver toda a estória do simpático robozinho sem pressa e sem diálogos e conseguir não ser chato. Só o tempo pode dizer do futuro, mas Wall-E está alguns degraus acima de tudo que já foi feito até hoje, e vai ser difícil tira-lo de lá.

4 meses, 3 semanas e 2 dias, Cristian Mungiu

A sinopse provavelmente o classificará como um drama, mas não caia nessa. O ganhador da Palma de Ouro de Cannes em 2007 é um filme pesadíssimo, que não te dá folga em nenhum momento e te deixa profundamente angustiado. Se você acha que a questão do aborto é a parte chocante da coisa, da missa você não sabe nem a metade.

O Cavaleiro das Trevas, Christopher Nolan

Maior bilheteria do ano, o Coringa, cenas de ação espetaculares, Duas Caras, Heath Ledger, Batman sussurrante, blá-blá-blá….Tanto já foi comentado sobre ele que fica impossível acrescentar algo, mas pra mim o seu grande mérito foi fazer com que eu me voltasse a me interessar por gibis, já que não comprava um novo desde o meu Cebolinha de 1996.

Jogo de Cena, Eduardo Coutinho

Reais ou inventadas? Coutinho brinca com o espectador, nos leva a toda hora questionarmos os depoimentos e mostra-nos que a linha que separa a ficção do documentário é mais tênue do que se pensava.

Ensaio sobre a Cegueira, Fernando Meirelles

Parece que o próprio Meirelles admitiu que pesou a mão, muitos o criticaram pela frieza, mas não consigo imaginar uma maneira diferente de se tratar o assunto, que é assustador pelo que mostra e também por sabermos que o que foi mostrado provavelmente seria a mais pura realidade numa situação parecida. E pra quem fala do climão do filme, saiba que perto do livro do Saramago, ele parece uma comédia-romântica das melosas. Com a Meg Ryan.

Sangue Negro, Paul Thomas Anderson

Outro filme impecável de PTA, que parece não conseguir fazer filme ruim. Épico, grandioso, Sangue Negro é a combinação perfeita de imagem, som e grandes interpretações. Day-Lewis e Paul Dano brilham representando dois dos maiores símbolos americanos e criam uma dezenas de grandes momentos.

Mais alguns….

+ Rambo IV
+ Sweeney Todd
+ Shine a Light
+ Estômago
+ Redacted
+ Desejo e Reparação
+ Senhores do Crime
+ Homem de Ferro
+ Beijos Roubado
+ A Neblina
+ O Orfanato
+ Gomorra
+ Cloverfield
+ A Espiã


É ritmo de festa

fevereiro 23, 2009

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Com raras surpresas, o Oscar dessa noite surpreendeu pela cerimônia em si, a melhor dos últimos anos, que mostrou poucas mas interessantes mudanças, mas sempre valorizadas devido a tamanha tradição e pouco vontade de inovar.

Logo de cara a presença de Hugh Jackman estranha. Deixaram de lado os comentários ácidos dos anos anteriores e investiram para shows estilo Brodway, que alternaram bons momentos, como o início na apresentação de alguns filmes, com a enfadonha apresentação citando musicais de antigamente.

Esse ano também foi uma dos anos em que mais me diverti na cerimônia. Tina Fey e Steve Martin estavam ótimos e até o Ben Stiller tirando sarro com a esquisitice-fake de Joaquim Phoenix tiraram algumas risadas. Dentro das típicas apresentações musicais chatas que todo ano aparecem, se sobressaíram Will Ferrel e Jack Black (com participação especial de John C. Reilly), cantando sobre o tormento dos comediantes serem ignorados pela academia. Outro destaque da noite foi o clipe que James Franco e Seth Rogen de Pineapple Express, que fizeram uma impagável esquete “homenageando” os melhores filmes de 2008.

Uma mudança interessante também foi na apresentação de atores e atriz principais e coadjuvantes. Ao invés de mostrarem clipes com uma passagem marcante do trabalho indicado, chamaram vencedores de anos anteriores para contar a importância do trabalho e o porque da indicação. Um bonito gesto, mostrando claramente a superioridade do trabalho de atores frente ao dos dos diretores nesse ano, tanto que os prêmios de Melhor Ator e Atriz foram logo antes do Melhor Filme, ao contrário dos anos anteriores, onde o penúltimo premiado era o diretor.

Sobre a premiação, realmente poucas surpresas. O grande momento foi a vitória de Heath Ledger, recebida por sua família e que comoveu boa parte da platéia. Finalmente Kate Winslet levou por Melhor Atriz por O Leitor, apesar de achar seu trabalho melhor em Revolutionary Road. No prêmio de Melhor Ator, torci muito para Rourke, para recompensar o seu renascimento e não deixar o fantástico O Lutador totalmente esquecido. A vitória de Sean Penn não chegou a ser uma surpresa, e até acho seu trabalho de ator superior ao do Rourke, mas fiquei desapontado.

De resto, Slumdog Millionaire faturou quase tudo e deixou Benjamin Button (que imitou Forrest Gump até na quantidade de indicações, 13 , e ganhou 3) no chinelo. Se esses prêmios são todos merecidos? Provavelmente não, mas são totalmente compreensíveis. Parece que a crise mundial, a eleição de Obama e a idéia de que estariam abrindo o cinema para um “novo mundo” influenciaram os votantes a escolherem esse novo filme do Danny Boyle. É um filme animado, com cores vivas e que te deixa pra cima, coisa que os americanos mais do que nunca estão precisando.

Principais vencedores

Melhor Filme    – Slumdog Millionaire
Melhor Diretor – Danny Boyle (Slumdog Millionaire)
Melhor Ator      – Sean Penn (Milk)
Melhor Atriz     – Kate Winslet (O Leitor)
Melhor Ator Coadjuvante  – Heath Ledger (O Cavaleiro das Trevas)
Melhor Atriz Coadjuvante – Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Melhor Roteiro Original     – Milk
Melhor Roteiro Adaptado – Slumdog Millionaire
Melhor Montagem – Slumdog Millionaire
Melhor Fotografia – Slumdog Millionaire
Melhor Longa de Animação – Wall-E

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Deusa


Prólogo

fevereiro 22, 2009

Muitas coisas mudaram pra mim em 2008. Meu trabalho exigiu uma dedicação maior, mudei de endereço e aconteceu que o blog acabou ficando em segundo plano. Esse ano as coisas se ajeitaram e posso voltar a programação normal. Como vocês estão vendo, também mudei de casa. A idéia é também mudar o jeito com que eu escrevo aqui, vamos ver no que dá e se quem ficar pra ler notará a diferença.

O foco ainda é cinema, claro, mas quero experimentar outras coisas escrever sobre outros assuntos. Ou não. Vou deixar rolar e ver no que dá. Na pior das hipóteses, o ambiente do Worpress me faz melhor que os da antiga casa.

Peço desculpas pelo enorme sumiço, mas foram para boas causas. Como disse, para o bem ou para o mal, muita coisa mudou ano passado. Não prometo que os sumiços não irão se repetir, mas se acontecer, pelo menos espero que não sejam tão longos.

Enfim, sejam bem-vindos e aproveitem a estadia na minha nova morada. Deitem no sofá e abram a geladeira. Sintam-se a vontade.


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