In Treatment – 1ª temporada

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Produzido pela HBO, um canal que já fez mega-produções como Band of Brothers e Roma, In Treatment agrada e surpreende logo de cara pela aparente simplicidade. Ao contrário da já tradicional freqüência semanal de outras séries, esta aqui é diária, de segunda a sexta-feira, cada dia focado em uma das cinco terapias.

Pra quem está acostumado com Lost e 24 Horas da vida, a desconfiança é inevitável. Uma série em que 90% do tempo você vê pessoas conversando, sentados no sofá de um consultório, com planos e contra-planos e vários momentos de silêncio total, parece fadada a chatice. E seria realmente um tremendo tédio, não fosse a mão firme, tanto para escrever como para dirigir de Rodrigo Garcia. Sutil, Garcia trabalha bem com as palavras, mas é escrevendo o não-dito com a câmera que ele se sai melhor. Para o espectador menos atento as sessões parecem não funcionar para nenhum dos pacientes. Entretanto, um olhar mais cuidadoso notará o passo-a-passo, até que no final todos de certa forma estão transformados. A quantidade de episódios, 43, e não um múltiplo de 5 como seria de se imaginar, mostra que algumas regras podem ser quebradas e há espaço para muitas surpresas.

As sessões/episódios são mediados por Paul, o psicólogo interpretado pelo brilhante Gabriel Byrne. Sereno e frio, vemos a dificuldade diária de Paul em trabalhar com sentimentos, com o clima pesado das consultas e em procurar o distanciamento necessário, mesmo que às vezes isso acabe sendo impossível.

Garcia também é preciso no desenvolvimento dos pacientes. Depois de uma ou duas sessões com cada um, temos o rótulo fácil na cabeça, que é desconstruído de maneira gradual (lembra da sutileza? então…) e quase imperceptível. Gosto de todos, mas tenho um carinho especial por Sophie, num trabalho absurdo de tão bom de Mia Wasilowska, que emocionou em todos os seus episódios com a sua mistura de doçura, angústia e fúria.

Outro fator que deixa a série ainda mais interessante são os últimos episódios de cada semana (5º, 10º, etc) onde Paul se consulta com a psicóloga e amiga de longa data Gina (Dianne Wiest, ótima). A discussão sobre os pacientes e os problemas com a esposa (a excelente Michelle Forbes) ressaltam suas fraquezas e expõe suas emoções, represadas quando no papel de psicólogo. Curioso também por mostrar que mesmo com todo o conhecimento do assunto, Paul age com Gina exatamente como um paciente comum, seja menosprezando pequenos detalhes que ela julga importante, criticando seus métodos ou ignorando suas opiniões. Com o tempo, percebemos que Byrne constrói um personagem complexo e ambíguo, que não compreende como toda a teoria e prática adquirida com os anos não o ajudou a lidar com seus sentimentos e a enxergar problemas que estavam diante de seus olhos. E mais do que isso, talvez ele não tenha aprendido a se ver como ser humano, falho e previsível.

Uma resposta para “In Treatment – 1ª temporada”

  1. Michel Simões Disse:

    Marlonn, vi a temporada até a metade porque gostava muito dos episódios da menina, do militar e da Laura e odiava o casal e os papos entre terapeutas. Daí desisti!

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